Advice For The Young At Heart

Tinha a Zefinha, seu marido Abajur (esse era o apelido do cara), minha mãe e nos colos deles as crianças (So, Aninha e eu), todos no banco de trás; na frente ia o casal Almeida, nossos vizinhos e pais da So.

Essa era a turma que descia a serra aos finais de semana, rumo a Bertioga no fusca do Sr. Almeida e sempre ouvindo Tears For Fears na estrada.

Costumávamos pernoitar no Recanto do Leo, um conjunto de apartamentos modestos, acessíveis e apertados como o fusca, porém de fácil acesso à rodovia que levava até a Riviera, a praia onde passávamos os dias. Os homens iam pescar nas pedras, as mulheres ficavam na areia tomando sol e nós (a criançada) brincávamos o dia todo e devorávamos os sanduíches armazenados na caixa gigante de isopor.

Tínhamos pouco mais de 10 anos e essas viagens eram pura festa para nós. A gente brincava tanto no sol e no mar que à noite só se via nossos dentes e o branco dos nossos olhos. Nossas pausas na farra da praia eram exclusivamente para comer. De noitinha, já de volta a Bertioga, a diversão era passear na feirinha de artesanato para comer e comprar cacarecos.

A gente vivia repetidamente essa alegria imensa de ser moleca como se não houvesse amanhã. E na real não havia mesmo… ser criança parecia ser para sempre…

Música: Advice For The Young At Heart (Tears For Fears)

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