Baby Baby Baby

jossLembro daquele sol de 41 graus do Rio de Janeiro torrando nossa pele e deixando o dia mais lindo, o que já me parecia impossível naquela altura do domingo. Fizemos um passeio-relâmpago perfeito pela cidade, mais cedo naquele dia.

Eu e minha amiga fomos a pé pela Candelária para chegar à estação de metrô. Embarcamos e dentro do trem lotado vi muitos carregando isopor cheio de cerveja com adolescentes de biquíni a tiracolo. Haviam também no mesmo vagão turistas curiosos como eu e alguns gringos enlouquecidos com tantos corpos dourados à mostra. Ao chegar no calçadão fiquei encantada com a democracia da areia. Vi celebridade global dividindo o mesmo metro quadrado com o pessoal da favela e achei linda e sincera aquela cena.

Fomos então a uma choperia de frente pro mar, onde tive um orgasmo gastronômico com iscas de peixe ao molho tártaro e canecas gigantes de chope gelado. O visual também era lírico demais, quase não acreditei naquele mar, naquele céu anil ensolarado, naquele Fusca azul estacionado. Tanta beleza era demais pra mim!

Subimos na pedra do Arpoador e ficamos em silêncio por uns instantes, contemplando aquele lugar tão lindo, celebrando nossa longa amizade e curtindo um pedaço daquela viagem que foi uma das melhores da minha vida.

Enfim voltamos ao porto no meio da tarde e embarcamos no navio com um sorriso nos dentes, para ainda sermos brindadas com uma tarde maravilhosa no deck da piscina do MSC Armonia.

No som, Joss Stone. Na mão, bons drinques. No corpo, biquíni.

E um pôr-do-sol estonteante em águas cariocas para fechar o dia com a maestria do Universo.

Música: Baby Baby Baby (Joss Stone)

Anúncios

Nothing Even Matters

hillA gente já se pegava pelos caminhos casa-trabalho-casa, dentro do fretado, mas havia aquele passo a mais pendente. Eu não era virgem nem nada, mas nunca havia ido a um motel. Quando ele propôs, fiquei curiosa e aterrorizada ao mesmo tempo. Ah, eu bem queria entrar naquele antro há séculos, mas meus casos anteriores deviam ser econômicos – sempre deram um jeito de me arrastar pra casa mesmo.

Nenhum dos dois tinha carro, aí estava o primeiro embate: pedir o carro dos pais emprestado. Inventei alguma coisa em casa e peguei a caranga para trabalhar naquele dia, assim na volta a gente já esticaria para a perdição. O dia de labor se arrastou numa ansiedade que não cabia no peito e quando chegou a hora de encontrar o moço me deparei com uma vergonha a-b-s-u-r-d-a de dirigir ao lado dele. Essas coisas bem bobas e bem de mulherzinha apaixonada mesmo, que acha que tem que ser perfeita em tudo senão o cara some. Contive a tremedeira e dirigi conforme as instruções de percurso que o veterano do rolê passava.

Ao chegar no lugar escolhido por ele, fiquei mais tranquila por ser distante da civilização, mas quase chorei quando vi a rampa monstra que eu teria que subir com o Uninho 1.0. Aquela vergonha de dirigir que quase tinha esmaecido voltou dez vezes pior. Engoli o choro, engatei a primeira e subi. Então chegou a hora de falar com a mulher da portaria/entrada/sei-lá-o-que do tal motel. Eu olhava pro amado com cara de interrogação, sem saber o que dizer ou o que fazer. Ele ria e me orientava, e eu quase com diarréia nervosa. O universo, ainda não contente com toda aquele mico que eu estava pagando, me coloca frente a frente com aquela vaga feita para Smart, minúscula e com a sensação de paredes prensando o carro. Santo Deus. Depois de 364 manobras, consegui estacionar a joça.

O momento clichê de entrar no quarto se pegando não aconteceu. Isso porque a boba aqui entrou analisando o local e fuçando em cada botão de luz, som e hidro que encontrava. Eu era pior que criança na Disney, fiquei atônita com o lugar e esqueci do objetivo da nossa visita ali por uns três minutos. Hilário, ou trágico.

Depois do deslumbre, um vislumbre me trouxe de volta ao momento. Aquele moreno lindo, me olhando, rindo de mim e para mim. Era uma visão digna de uns dois infartos, mas graças ao Papai do Céu eu tinha saúde de ferro e vigor de sobra. Finalmente a noite foi nossa e para nós dois. Luzes coloridas, teto retrátil, hidro no jardim, bebidinhas. Lembro de tudo. E morro de saudade daquele motel e daquele moreno… 😉

Breve Epílogo:

Claro que teve outra surpresa infeliz depois do auge, afinal sou eu a protagonista da história. Na volta pra casa tomei uma multa com o carro da mamãe. Ninguém em casa teve coragem de discutir sobre qual de nós havia passado naquela avenida. E a multa foi paga sem mais comentários.

Música: Nothing Even Matters (Lauryn Hill & D’Angelo)