Que Bom Voltar

edTá certo que o rapaz havia sapateado na minha cabeça num passado nem tão distante, e eu sofrera deveras antes de engatar a atitude “pra-frente-que-se-anda”. Ainda assim o achei corajoso ao insistir em se reaproximar.

Eu curava a dor de um pé-na-bunda e ele não havia se recuperado do pé que ele me deu (e se arrependeu) tempos antes. Eu desacreditada de tudo, abraçava a depressão como quem reencontra uma velha amiga. Ele assumia a responsabilidade do meu resgate, por vontade própria e contra todos.

Deitada em minha cama há mais de uma semana, já estava acostumada com o barulho da porta do apartamento em determinados momentos; era sempre minha mãe vindo cuidar da filha inerte que me tornei. Certo dia o barulho me enganou. No lugar da mãe zelosa veio um príncipe.

Ele se demorou um instante analisando aquela imagem doente da moça que ele amava. Estremeceu mas não retrancou, se manteve ao meu lado e com a voz embargada me pediu permissão para cuidar dos meus cacos. Relutei e vomitei a verdade para afrontar aquela ternura toda. Estou assim por outro alguém e não sei como posso te dar meu gostar agora – falei desencorajando. A resposta dele foi tão sutil e tão absurda que eu não tive mais argumento.

“Tudo bem, eu sei, mas mesmo assim quero cuidar de você, deixa?”

Deixei, claro. E embalada pelo som do Ed Motta vi aquele moço consertar a bagunça do meu coração.

Música: Que Bom Voltar (Ed Motta)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s