American Boy

estelleUm deus grego entrou no departamento e a mulherada quase enfartou. Alto, de pele clara mas com aquele leve bronze de quem pega sol esporadicamente, aquele homem era digno de contemplação. Tinha a barba perfeita e os cabelos escuros bem cortados, uns olhos grandes e o sorriso largo. A voz retumbava a cada “muito prazer” que ele dirigia a quem ia conhecendo.

O cara era uma obra-prima da natureza, e iria desfilar pelos corredores da empresa arrancando suspiros das minhas colegas de trabalho – delas, porque eu sempre fui lesada demais pra me empolgar com os gatos que passam por mim, né.

Acabou que o cigarro nos aproximou e eu fui a primeira amizade que ele fez por lá. Engatamos altos papos filosóficos e com o tempo viramos amigos próximos. O bofe era, além de lindo, um lorde.

Aí chegamos naquele estágio de trocar confidências, aqueles conhecidos papos sobre relacionamentos amorosos e tal. Enquanto eu contava minhas mazelas, ele ficava indignado e dizia que eu merecia algo melhor. Por sua vez, me contava suas próprias dores do coração, mas sempre sem nomes – apenas fatos.

Numa tarde qualquer fomos até o fumódromo e ele quis que eu escutasse um som que ele pirava. Lembro dele me dizendo naquele dia “ai para, você já sabia, vai”, enquanto a gente entortava de tanto rir da cara das meninas que paqueravam ele na caruda. Isso porque ele acabava de me revelar que era gay e que elas não tinham a mínima chance. Pobres sonhadoras!

Começava aí nossa linda amizade, coroada com a trilha da Estelle, que ele me apresentou e eu nunca mais parei de escutar (thanks dear!).

Música: American Boy (Estelle)

No One Knows

qotsa

Se eu pudesse reviver algo hoje, escolheria voltar a meados de 2010, especificamente aos três dias de shows do primeiro SWU. Foi o primeiro grande festival de música que fui e foi o melhor até hoje, sem dúvida.

Logo que anunciaram a line-up eu surtei: tinha Incubus no último dia! Nem raciocinei direito e comprei os ingressos (meu e do meu namorado), ainda sem saber como faria para chegar em Itú e tudo mais. Eu só sabia que tinha que estar lá.

E essa vida que é uma caixinha de Pandora surpresas me proporcionou um pé na bunda e o namorado me largou faltando um mês pros shows. Ótimo, pensei, agora ainda vou ter que viajar até o interior sozinha. Que maravilha.

Mas cada um tem os amigos que merece e eu mereço muito os meus! Um grupo de mais de vinte camaradas da mais alta qualidade me resgatou e me levou ao festival que foi a melhor experiência musical da minha vida. Foi coisa fina: sítio com piscina em Itú, van para levar e buscar a gente nos shows, churrasco, Heineken e muita risada com os amigos de longa data e com os novos integrantes da família que conheci lá (aow Americana!). Pique “patrão” mesmo!

Vimos desde BNegão até Cavalera Conspiracy, passando por Rage Against The Machine, Joss Stone, Los Hermanos e muitos outros. Assistimos Sublime With Rome num fim de tarde, com um pôr-de-sol arrebatador, coisa “mai” linda. E aí chegou o dia que tanto esperei, a segundona com Incubus, e tudo continuou perfeito. Uma das minhas amigas me levou pertinho do palco e eu até perdi a voz de tanto cantar com o Brandon.

Achei que não poderia ficar melhor, mas fui surpreendida. Entrou o Queens Of The Stone Age no palco e o festival veio abaixo. Josh Homme e seus comparsas quebraram t-u-d-o. O som era impecável, a gente tinha a visão insana daquelas sessenta mil pessoas pulando e ainda contávamos com a boa energia que só esses meus amigos têm. Foi quase um orgasmo, sério.

Ainda não domino a máquina do tempo, mas sempre que escuto esse som me encho daquela good vibe de novo. Se eu pudesse reviver algo, escolheria mesmo voltar aqueles dias. E mesmo já com meu ingresso aqui para ver QOTSA nesse mês, sei que é impossível repetir a vibe de 2010 sem meus amigos por perto. Bom mesmo é seguir na certeza de que a gente ainda vai se encontrar, meus amigos, nessa ou em outra vida!

(Em memória do nosso querido Júlio César “Gordinho”)

Música: No One Knows (QOTSA)