Latch

Depois de algumas noites compartilhadas, ele resolveu sumir. Foram dez dias de mensagens minhas ignoradas e de nó na garganta. Mas um amigo em comum (o mesmo que nos apresentou) fazia aniversário e eu precisava encarar o inevitável reencontro na festa.

Arrastei meu corpo até a pizzaria, cheguei antes de todo mundo. A hora passou, algumas das melhores cervejas mexicanas entraram no jogo, e então ele apareceu. Acompanhado de um cara e de uma garota. Suei frio.

Nos cumprimentamos mantendo a pose e ele me apresentou aos amigos que vinham de outra cidade. Misteriosamente, o santo da nova amiga bateu com o meu e ficamos trocando altas ideias, até que ele veio chamar a menina pra seguir o rolê em outro lugar. Ela insistiu que eu fosse junto e eu tomei a má decisão de entrar no carro com eles rumo ao desconhecido.

Já na tal balada e no meio dessa puta saia-justa, vi que nem eu nem ele sabíamos como gerenciar aquela situação. Ele seguiu conversando num canto com o amigo e eu fui dançar com a amiga, que parecia super animada pra desbravar a noite da Cidade do México. Continuei bebendo pra me anestesiar de toda aquela cena surreal em que me meti.

Aí quando começou a tocar justo essa música, ele apareceu na minha frente, dançando de um jeito tão perfeito que me fez gaguejar antes de tentar dançar junto. Lembro bem do rosto dele com as luzes coloridas, do olhar fixo em mim, da mão dele me puxando pra perto…

Lembro também dos três dias que passamos internados no meu quarto depois desse rolê. E das inúmeras tentativas de nos afastarmos durante os quase cinco anos de muitos sentimentos loucos. Até agora eu não entendi o que ele fez pro meu coração bater fora do peito, como diz a canção. Até hoje eu não consigo escutar essa música sem tremer dos pés a cabeça. Até o momento, não sei lidar.

P.S. Feliz aniversário, pessoa.

Música: Latch (Disclosure)

Come Away With Me

Tem uns raros casos em que minha mente desperta não apenas com uma canção mas sim com toda a obra de um artista. Quando isso acontece, basta ouvir a voz do intérprete e me lembro. É o caso desta memória.

Eu e ele somos muito diferentes e por isso nunca imaginei a possibilidade de rolar algo entre a gente. Fomos amigos por anos e nunca me passou pela cabeça um romance. Só que essa vida adora me surpreender e criou uma aproximação entre nós que eu sequer vi acontecer. Só me dei conta do que estava acontecendo vários dias depois da primeira noite.

Com esse amigo vivi muita coisa em pouco tempo. Tivemos noites curtas com carinho e expectativas. Tivemos também confusão, ciúmes e distância. Nada nessa ordem, tudo meio misturado.

Mas de fato foi tudo muito intenso, como acredito que deve ser. Nossa vida já é meia-boca em vários aspectos e o amor não deve entrar nessa rotina, tem que transcender para valer a pena, e é assim que foi com a gente.

Do pouco que temos em comum, claro que a música é o que me marcou. Ambos gostamos da Norah e particularmente acho que não há melhor trilha sonora para tudo que vivemos.

Obrigada por tudo, querido.

Música: Come Away With Me (Norah Jones)