Hey Brother

Avicii_Hey_BrotherQuando tomei a decisão de viajar, minha irmã foi a primeira a saber. Eu não tinha idéia ainda de como faria, havia apenas o desejo de morar fora do Brasil por um tempo. Estávamos no meu quarto e eu disse a ela sobre o que pretendia fazer. Ela teve certeza naquele instante de que eu daria um jeito de realizar isso, e caiu no choro. Eu ali, sem reação por alguns segundos, tentava entender o que ela repetia no meio das lágrimas:

– Minha vida vai ser um tédio sem você aqui!

Foi um chute no meu saco imaginário. A gente vive brigando, porque somos muito diferentes. A começar pelas gerações: são 21 anos de diferença entre nós, com ela agora entrando na “aborrescência”. Nas relações familiares sou meio bruta (herança da avó), já ela é carinhosa e distribui beijocas e abraços no melhor estilo Felícia (aquela do Tiny Toons). Minha irmã também é uma mini-perua que adora aprender a se maquiar pelos tutoriais do YouTube e que anda toda empetecada, enquanto eu ando de cara lavada com meu look jeans-camiseta-tênis todo santo dia.

Uma das poucas coisas que temos em comum é o gosto musical estranho. Não, não ouvimos as mesmas coisas, claro. Mas somos, digamos, igualmente peculiares sobre o que gostamos. Eu sou a estranha que ouve de Roupa Nova a Sepultura, de Elvis a Juanes. Ela escuta Demi Lovato, Katy Perry, Avicii e… rap nacional (como assim???), escolhas estas que me dão vontade de bater nela.

Apesar de todas as diferenças, ela é a única pessoa que me diz “te amo” olhando nos meus olhos, pra assegurar que eu entenda o quanto ela fala sério quando diz isso.

No dia D, a caminho de Cumbica com a família toda no carro, ela quis que eu escutasse essa música do Avicii que ela ama. Compartilhou o fone de ouvido comigo e disse que era pra eu lembrar dela sempre que escutasse o som. Ela cantou junto porque procurou a letra (em inglês) na internet para aprender dias antes.

Até agora não sei se ela sabe a tradução, esqueço de perguntar. Talvez de modo intuitivo ela simplesmente saiba o quanto faz sentido essa música para a gente. Eu só sei que ela acertou em cheio meu coração peludo de irmã mais velha e agora eu choro (de gratidão e de saudade) toda vez que escuto essa música. Tipo agora mesmo, chorando e escrevendo isso aqui.

Música: Hey Brother (Avicii)

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Nice To Know You

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Eu discordo fortemente, mas minha mãe insiste que não tenho mais idade para tietar ninguém.

Minha história com o Incubus não é longa, tem cerca de 5 anos só mas tem intensidade dos calafrios que garotinhas sentem ao ver suas boys bands queridas. A diferença entre o que elas sentem e o que eu sinto é que pago um pau para a música que os caras fazem, não para os homens da banda (ok, o Brandon também é lindo, admito).

O contato imediato com a banda que se tornaria a minha predileta rolou em julho de 2007, quando vi o vídeo de Megalomaniac na MTV. Foi paixão fulminante naquele momento. Comecei a procurar imediatamente informações sobre a banda na internet e tudo que encontrei agradou meus ouvidos. Fiquei viciada instantaneamente naquele som que não consegui rotular.

Ao longo do mês me inscrevi em vários fóruns e comunidades de fãs para me manter informada sobre novidades e acabei sabendo ali que os caras viriam ao Brasil naquele mesmo ano. Enlouquecida, iniciei a busca por ingresso e logo descobri que os dois dias de apresentação já estavam esgotados.

A real história dessa vinda a nossa terra foi que os shows marcados inicialmente para maio de 2007 (quando eu sequer sabia que Incubus existia no planeta) foram adiados para outubro por conta de uma cirurgia que o Mike (guitarra) precisou fazer na mão. Azar dele, sorte minha, mas como nem tudo é flor não consegui descolar o ingresso, nem por meios escusos. E deprimi.

Minha grande amiga aguentou dias de chororô meu, até que o acaso a colocou numa conversa com um gestor dela. Ele resmungou sobre a insensatez do filho que comprara ingressos para dois eventos diferentes no mesmo fim de semana e não sabia o que fazer. Logo minha amiga notou que o destino estava dando aquela forcinha para a retardada aqui: os eventos do moleque eram Tim Festival e Incubus. Ela logo comeu a mente do chefe dizendo que eu era doente pela banda e o cara (gente fina pacas) convenceu o filho a me vender o ingresso.

Havia 1 mês que eu estava morando sozinha após romper um noivado e eu precisava mesmo lavar a alma naquele show. Lá fui eu até Moema, sozinha mas empolgadíssima. Na fila para entrar na casa de shows já encontrei antigos amigos queridos e fiquei a vontade.

Entrei em transe durante o show. Larguei todo mundo e me enfiei na fila do gargarejo como uma adolescente surtada. Como diria um novo amigo: fiquei emocionada (rs).

Foi a primeira noite de show em SP na primeira visita do Incubus no Brasil, onde eu vi pela primeira vez a melhor banda do (meu) mundo bem de perto. E você sabe… a primeira vez a gente nunca esquece. 😉

Música: Nice To Know You (Incubus)