There’s Never a Forever Thing

ahaEm 2011 passei por (mais) um relacionamento turbulento. Saí dele arrasada, fui até o inferno e voltei. Perdi o chão. Perambulava de casa para o trabalho e o caminho inverso todos os dias como uma zumbi. Vivia por inércia, nada mais me interessava o suficiente.

Nessa época me apeguei apenas ao desenvolvimento da minha espiritualidade. Comecei a ler bastante sobre o assunto, frequentei vários lugares, e entendi que era essa busca que ainda me mantinha em pé. Eu não tinha mais nada.

Muitas dúvidas surgiram nessa caminhada e fiquei desgostosa com Deus, que não aparecia, não esclarecia nada e só me mostrava charadas que eu não entendia. Aos poucos fui largando a busca e deixando de acreditar que Ele estivesse por perto. Foi aí que Ele me achou.

Eu me apego aos detalhes e os encaro como sinal divino. Sempre foi assim comigo, e mesmo em tempos difíceis mantenho essa postura. Até por isso (e por ser tonta nesse nível) ouço sempre as músicas em shuffle, para que elas me surpreendam e tragam alguma mensagem que eu precise ouvir.

Numa noite muito pesada, sozinha em casa e fora de controle, eu chorava muito e questionava furiosa sobre o que Deus estava fazendo que não estava ali intervindo por mim naquela sucessão de males que me assolavam dia após dia. Eu estava no meu limite, pronta para fazer qualquer besteira que se apoderasse da minha cabeça. Mas começou a tocar uma música que me tirou o foco.

Era uma velha canção do A-ha (essa banda marcou mesmo minha vida), bastante conhecida por mim, mas que nunca ficara em primeiro plano como naquela noite. A letra pedia para enxugar o rosto e parar de chorar, estava tudo bem segundo o Morten. Falava para fechar os olhos e descansar pois alguém velaria meu sono até que os primeiros raios de sol aparecessem. E o refrão-título repetia o mantra que eu precisava: nada é para sempre, isso também vai passar.

Eu soube naquele momento que havia alguém cuidando de mim. Soube que Deus estava ali perto, preocupado comigo. Soube que Ele havia tido o trabalho de falar comigo pela única linguagem que entendo: a música.

Depois disso, bem, tudo se acalmou, afinal se Deus diz que vai cuidar de você até passar o vendaval, é melhor acreditar, não acha? 😉

Música: There’s Never a Forever Thing (A-ha)

Digging The Grave

fnmAs memórias que vou postar aqui não serão organizadas cronologicamente, por isso decidi começar com essa história, que é recente porém é importante para mim. Sei o quanto vai parecer balela, mas vou contar o acontecido assim mesmo e aí você tira suas próprias conclusões. É um testemunho, e é real, acredite.

Voltemos ao SWU 2011, um evento musical que eu nem queria ir por diversas razões, mas como já tinha os ingressos para os 3 dias, fui. No momento em que decidi ir, pareceu que não era mesmo para ter ido.

Antes de sairmos de São Paulo rumo à Paulínia, minha madrasta passou muito mal, o que atrasou bastante a nossa partida. Na estrada, paramos num posto para comer algo e tivemos um estresse sem precedentes com a garçonete, assim, do nada. Já no evento, me deparei com shows péssimos, perdi meu cigarro e fui roubada (levaram meus dois celulares). Para fechar a noite de sábado com aquela chave de ouro, eu não sabia o telefone do meu pai e tivemos que ir até a casa do meu tio andando… e confiando na minha memória para encontrar a casa dele depois de 8 anos sem ir para Paulínia. Chegamos, mas o conjunto da obra acabou com minha noite, ou melhor, acabou com meu fim de semana. Fiquei enfurecida e queria voltar para casa naquele instante, mas minha amiga me convenceu a dar mais uma chance ao SWU. Fiquei e fomos aos shows do domingo (que foram ótimos) com tranquilidade. Ufa.

Chegou o dia mais esperado, o último, a segunda-feira. Fomos cedo ao evento para encontrar outros amigos, mas o único show que me interessava era justamente o último da noite (que rolaria lá pela 01h da matina). Imagine meu humor quando anoiteceu e começou a chover muito. Estava em pé desde as 15h, agora ensopada, cozinhando o pé no tênis encharcado, com frio, fome, cansaço e sem glamour. Lá pelas tantas, fomos colar na grade para ver o derradeiro show. Finalmente vi o Mike entrando no palco, bizarramente vestido de pai-de-santo (?) e pagando de “incorporado”. E rolou o show, a chuva torrencial não deu trégua e minha bateria arriou. Pensei que fosse desmaiar de tão fraca que me senti. Foi nesse momento que pensei em Deus.

Ok, agora você vai achar que estou louca. De onde veio a idéia de falar com Deus no meio de um tumulto desses? Simples: quis saber se Ele havia me abandonado, sei lá, talvez por eu estar num show de rock e tudo mais. Eu sei, idéia idiota, mas estava quase abrindo o bico então resolvi apelar. Mas nem eu acreditava que iria ser ouvida ali, dada a circunstância toda. Só fechei o olho e fiz meu pedido em silêncio “Pai, eu não acho que está olhando por mim agora, mas se estiver me ouvindo, por favor me ajuda… não tô aguentando ficar em pé, preciso de ânimo e preciso saber que tu tá aqui… faz assim, se estiver aqui comigo toca minha música agora e vou saber que tu respondeu.”.

Já imagino sua cara lendo isso até aqui. Mas insisto: é real e aconteceu comigo. Eu fui louca o bastante para pedir a Deus que me provasse que estava ali naquele inferno comigo, num show de uma banda de rock com um vocal que agia como uma entidade, onde tinham pessoas alucinadas, enfim, o último lugar que se supõe possível encontrar Deus. Mas o fato é que Ele estava lá. E me escutou.

Não passou sequer um minuto e o FNM começou a tocar a minha música. Não sei dizer direito o que eu senti. O cansaço virou um espasmo de energia, eu comecei a pular e cantar loucamente. Naquele instante eu soube que Ele estava ali comigo, e não teve carro atolado até as 06h da manhã que me tirou essa certeza do peito.

No dia seguinte, já no conforto de meu humilde lar, resolvi ler os posts sobre o show no Facebook. Um dos meus amigos publicou a foto da set list preparada pelo FNM para aquele show. E Digging The Grave não fazia parte dela. 🙂

Letra: Digging The Grave (Faith No More)