Total Eclipse Of The Heart

bonnie Eu danço desde pequena. Nos dois sentidos. Isso não quer dizer que aprendi a dançar e parei de pagar mico por aí.  Aliás, os vexames me acompanham pela vida.

Aos 11 anos eu fazia ballet e na primeira apresentação já fiquei traumatizada. Horas e horas de sofrimento fazendo abertura na parede pra dançar em frente a escola inteira… vestida de palhaça. Como se não bastasse, ainda teve pane no som e tivemos que começar o “espetáculo” do zero. Calça larga, peruca de meia fina, cara colorida, um horror.

Pedi e minha mãe deixou que eu trocasse o ballet pelo jazz, um lance mais moderninho. Lá fui eu, toda ousada de sapatilha, sainha e collant pretos, ensaiar movimentos ao som de músicas famosas dos anos 80. Eu adorava tudo: a professora, o som, a energia. Era demais.

A escola onde eu fazia a sexta série inventou um festival para os alunos soltarem sua magia em música, dança e teatro, e uma colega de classe sugeriu que a gente podia se apresentar com alguma coreografia (já que ela também era desse babado de jazz). Pensei, ponderei, e decidi abraçar o desafio. Eu já estava ensaiando uns passos com uma música famosa há tempos na aula de dança, então não seria difícil fazer a rotina. Mas o que me deixou tranquila foi lembrar que eu estava saindo daquele colégio e se rolasse um vexame nem ia mais precisar olhar na cara de alguém de lá.

Pois bem, ensaiamos juntas por semanas, nos inscrevemos, e aí chegou o grande dia. No caminho entre minha casa e a escola, comecei a ficar nervosa. Suava frio e me pegava pensando em todos os desastres que poderiam acontecer (cair, errar, a roupa rasgar). Cheguei de fininho na porta da quadra e vi aquela multidão na platéia. Tremi como se subitamente tivesse mal de Parkinson.

Enquanto passei uns minutos em choque, chamaram nossos nomes no microfone. Vi minha amiga pronta, ao lado do palco, brava pacas e sem saber se subia sozinha. Naquele instante eu entendi que tinha que tomar uma atitude imediatamente.

Corri até o ponto de ônibus e voltei pra casa com a covardia no bolso, fazer o quê!

Música: Total Eclipse Of The Heart (Bonnie Tyler)

Fly

flyO colegial foi muito bom (e não estou falando das aulas). Considero como uma fase ótima da vida e imagino que muitos que estudaram no Costa Manso pensam o mesmo 😉

Era uma farra sem fim. Ninguém trabalhava ainda (na verdade comecei a labuta no 3° colegial) e as nossas tardes eram livres para voarmos em qualquer direção. Íamos à aula pela manhã e causávamos o resto do dia.

Eu estudava longe de casa e nada do que eu aprontava chegava aos ouvidos dos meus pais… ah, tempos de ouro! Tinha dia que dava a louca na turma e saíamos da escola direto para o Jabaquara, lá pegávamos um ônibus para alguma praia num bate-e-volta insano no meio da semana. Alguns (muitos) dias, eu estudava de manhã e ficava a tarde no mocó do grêmio preparando festinhas e ganhando a moral do povo da tarde.

Mas minhas tardes prediletas eram gastas no prédio da Paty. Lá tínhamos a piscina para os dias quentes e os lindos garotos do condomínio para os dias frios. E quando não queríamos fazer nada era só deitar nos sofás do hall do prédio para ouvir música e falar merda. O Sugar Ray estava nas paradas e escutávamos Fly repetidamente.

Era lindo e eu quero voltar para 1997 agora mesmo (rs).

Música: Fly (Sugar Ray)

http://www.youtube.com/watch?v=zUtnwcv-quE