Total Eclipse Of The Heart (a outra memória)

bonnieCalma, ainda não enlouqueci, sei que já escrevi sobre essa música aqui. É que tenho outra memória com esse som que preciso contar. Acho que é a 1ª vez que acontece isso, doideira!

No começo dos anos 90, minha mãe fazia Aeróbica numa academia do bairro onde morávamos e vez ou outra me levava para assistir suas aulas. Eu ficava no canto da sala, vendo a mulherada fazer o circuito (assim chamavam as coreografias). Com o tempo, já imitava os passos e atormentava minha mãe para me matricular também. Como eu era criança não pude entrar na Aeróbica, então fiquei no Balé. Minha feliz surpresa foi descobrir que era a mesma professora que dava as duas aulas; o nome dela era Denise.

Foi um horror fazer Balé. Pouca dança, muito sofrimento. Lembro claramente da Denise colocando o peso de seu corpo nas nossas costas para forçar a nossa abertura até o chão. E deixa eu contar um detalhe: ela tinha músculos de fisiculturista!

Minhas preces então foram atendidas porque abriram uma turma de Jazz. Gostei de tudo, começando pela roupa preta no lugar da rosinha de Balé. Passávamos a aula inteira ensaiando uma coreografia e para completar a Denise escolheu esse som dos anos 80 que eu adorava: Total Eclipse Of The Heart. Só que o que rolou pouco tempo depois foi bem triste.

A professora foi demitida da academia e até hoje não sei o que rolou, só sei que do dia para a noite ela sumiu do mapa. Mesmo assim, guardo a lembrança dessa época com muito carinho, pois a Denise me ensinou a gostar de dançar. Lembro até hoje do perfume esquisito que ela usava (Shiraz) e ainda lembro de alguns passos da coreografia dessa canção.

Nunca mais tive notícias da professora Denise, só espero que ela esteja bem e tenha uma vida feliz. Sou muito grata por termos cruzado caminhos nesse planeta!

Música: Total Eclipse Of The Heart (Bonnie Tyler)

Anúncios

There’s Never a Forever Thing

ahaEm 2011 passei por (mais) um relacionamento turbulento. Saí dele arrasada, fui até o inferno e voltei. Perdi o chão. Perambulava de casa para o trabalho e o caminho inverso todos os dias como uma zumbi. Vivia por inércia, nada mais me interessava o suficiente.

Nessa época me apeguei apenas ao desenvolvimento da minha espiritualidade. Comecei a ler bastante sobre o assunto, frequentei vários lugares, e entendi que era essa busca que ainda me mantinha em pé. Eu não tinha mais nada.

Muitas dúvidas surgiram nessa caminhada e fiquei desgostosa com Deus, que não aparecia, não esclarecia nada e só me mostrava charadas que eu não entendia. Aos poucos fui largando a busca e deixando de acreditar que Ele estivesse por perto. Foi aí que Ele me achou.

Eu me apego aos detalhes e os encaro como sinal divino. Sempre foi assim comigo, e mesmo em tempos difíceis mantenho essa postura. Até por isso (e por ser tonta nesse nível) ouço sempre as músicas em shuffle, para que elas me surpreendam e tragam alguma mensagem que eu precise ouvir.

Numa noite muito pesada, sozinha em casa e fora de controle, eu chorava muito e questionava furiosa sobre o que Deus estava fazendo que não estava ali intervindo por mim naquela sucessão de males que me assolavam dia após dia. Eu estava no meu limite, pronta para fazer qualquer besteira que se apoderasse da minha cabeça. Mas começou a tocar uma música que me tirou o foco.

Era uma velha canção do A-ha (essa banda marcou mesmo minha vida), bastante conhecida por mim, mas que nunca ficara em primeiro plano como naquela noite. A letra pedia para enxugar o rosto e parar de chorar, estava tudo bem segundo o Morten. Falava para fechar os olhos e descansar pois alguém velaria meu sono até que os primeiros raios de sol aparecessem. E o refrão-título repetia o mantra que eu precisava: nada é para sempre, isso também vai passar.

Eu soube naquele momento que havia alguém cuidando de mim. Soube que Deus estava ali perto, preocupado comigo. Soube que Ele havia tido o trabalho de falar comigo pela única linguagem que entendo: a música.

Depois disso, bem, tudo se acalmou, afinal se Deus diz que vai cuidar de você até passar o vendaval, é melhor acreditar, não acha? 😉

Música: There’s Never a Forever Thing (A-ha)